Pular para o conteúdo

BIOGRAFIA DE EDSON SOUZA

A essência da lealdade, a organização da memória e o entusiasmo que inspira
1 de junho de 2026 por
BIOGRAFIA DE EDSON SOUZA
Associação Banda Filarmônica 2 de Janeiro
| Nenhum comentário ainda

Há pessoas cuja presença se torna a própria alma de uma instituição, mostrando que o amor à cultura vai muito além do sopro de um instrumento ou do toque de um tambor. Edson Souza é um dos pilares de dedicação e resiliência mais admiráveis da trajetória recente do Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J) em parte de inclusão. Sua história de colaboração com a casa começou em 2008, um ano divisor de águas, e desde então ele tem sido um braço forte na sustentação das atividades diárias da centenária associação. Durante anos, Edson exerceu a nobre e minuciosa função de arquivista da filarmônica. Em uma banda de música, o arquivista é o guardião do tesouro intelectual: é quem cuida para que os dobrados centenários, as marchas de procissão e os hinos tradicionais estejam impecavelmente organizados, conservados e distribuídos nas estantes certas de cada músico. Sem o trabalho zeloso de Edson no arquivo, a música não teria a organização necessária para ganhar as ruas.

Hoje, mesmo enfrentando as barreiras e desafios de sua condição como Pessoa com Deficiência (PCD), Edson Souza se recusa a deixar que qualquer limitação física diminua o seu papel na instituição. Pelo contrário: ele se tornou um dos maiores símbolos de entusiasmo, superação e alegria dentro da sede da F2J. Sob a gestão e o olhar de profundo respeito do maestro Eduyr Pereira da Silva, Edson continua presente, contagiando a todos com sua energia positiva e provando, a cada ensaio, que o verdadeiro pertencimento a uma filarmônica nasce da força da alma e do orgulho de servir à cultura de sua terra.

História: do guardião dos papéis que sorri para o futuro

O silêncio do arquivo da Filarmônica 2 de Janeiro sempre foi, para Edson Souza, um silêncio preenchido de história. Desde 2008, ano em que uniu suas forças às da instituição, ele aprendeu a decifrar a alma da casa através das folhas amareladas pelo tempo. Cada partitura que ele organizava nas pastas, cada folha de solfejo que restaurava com fita e cuidado, era um pedaço de Canavieiras que ele ajudava a salvar do esquecimento. Edson sabia que, antes de o som ecoar no trompete ou na clarinete, ele precisava nascer ali, na ordem perfeita de suas gavetas.

Os anos correram e a vida trouxe para Edson novos contornos e desafios. No entanto, quem entra na sede da F2J hoje não encontra espaço para o desânimo. O entusiasmo com que Edson cruza o salão é uma lição diária que ecoa mais forte do que qualquer acorde de metal pesado.

Nos dias de ensaio geral, quando o movimento na sede se intensifica e os músicos correm de um lado para o outro ajustando as fardas e os instrumentos, a presença de Edson é o porto seguro de calmaria e alegria. Ele acompanha tudo de perto. Seus olhos brilham ao ver os veteranos acertando a afinação e os meninos da escolinha tateando as primeiras notas. Para ele, cada ensaio é uma vitória coletiva da qual ele faz parte orgulhosamente.

— Tudo em ordem por aqui hoje, Edson? — costuma perguntar o maestro Eduyr, fazendo uma pausa antes de subir ao pódio e dedicando ao amigo aquele olhar de quem reconhece o valor fundamental de sua caminhada na casa. Edson responde com um sorriso largo, daqueles que iluminam a sala inteira e renovam as energias de qualquer um que esteja cansado. Não há barreiras estruturais ou físicas que consigam limitar o sentimento de orgulho que ele carrega no peito desde 2008.

Quando a batuta do maestro finalmente se ergue e a Filarmônica 2 de Janeiro começa a tocar, Edson fecha os olhos por um instante e sente a vibração do som no chão e nas paredes. Ele sabe que parte daquela magia que emociona a cidade só acontece porque ele escolheu doar sua vida, seu cuidado e o seu entusiasmo inabalável àquela casa. Edson Souza não precisa tocar um instrumento para fazer música; a sua própria vida e a sua lealdade são a sinfonia mais bonita que a F2J se orgulha de reger.

Entrar deixar um comentário