Na engrenagem musical e humana da Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J), cada estante carrega uma bagagem de anos de dedicação, respeito e som. A trajetória de Elton Reis de Souza é uma prova viva disso. Exímio tubista e musicista de valor, Elton iniciou sua caminhada na instituição no período em que Eunice Castro deixou o maestro Eduyr Pereira da Silva atuasse como professor de música na filarmônica. Desde aqueles primeiros ensaios e lições, Elton assumiu a responsabilidade de dominar a tuba, o instrumento que garante o chão firme e o coração dos graves em cada dobrado tradicional.
Como todo grande artista, a jornada de Elton é feita de ciclos. Hoje, a sua história e o seu talento inegável necessitam apenas de um elemento simples, mas vital: um pouco mais de incentivo interno, aquele estalo que reacende a chama da dedicação plena. O maestro Eduyr e os seus companheiros de farda conhecem o tamanho do seu potencial e, por diversas vezes, estendem a mão e tentam puxá-lo de volta ao centro do palco, insistindo para que ele ocupe o lugar de destaque que é seu por direito.
O maestro conta e faz questão de deixar registrado: Elton Reis de Souza possui uma história legítima, rica e tão importante para a F2J quanto a de qualquer outro músico que já vestiu a farda da centenária associação. Ele faz parte do alicerce da casa, e sua presença nas fileiras dos graves é um patrimônio que a instituição não abre mão de valorizar e proteger.
HISTÓRIA: O CHAMADO DO METAL E O ECO DO COMPANHEIRISMO
Quem se senta no pódio de regência da Filarmônica 2 de Janeiro e olha para o naipe de graves sabe o valor de um tubista seguro. O maestro Eduyr se lembra perfeitamente do tempo em que atuava como professor na instituição e via o jovem Elton Reis de Souza se esforçar para domar as primeiras notas na gigantesca tuba. Não é um instrumento fácil; exige fôlego, postura e uma precisão metronômica. Elton aceitou o desafio e escreveu capítulos bonitos nas nossas retretas.
A vida e os seus caminhos às vezes fazem com que o músico dê um passo atrás, que a rotina pese ou que a vontade de soprar precise de um empurrão extra. Mas na F2J, ninguém fica para trás na partitura da história. Quando os companheiros de naipe ajustam seus bocais e o maestro levanta a batuta, o pensamento sempre voa em direção a Elton.
O Elton tem o som que a banda precisa, a vaga dele na estante está sempre guardada, como costuma lembrar o maestro Eduyr entre os músicos mais antigos. O que falta para ele é apenas acreditar mais no próprio talento, ter aquele incentivo que vem de dentro, porque a nossa parte, o nosso abraço de companheiro, ele sempre terá. A história de Elton Reis de Souza está gravada nas paredes da sede, no eco dos desfiles passados e no respeito de quem dividiu o suor da avenida com ele. A música tem essa magia: a nota que você escreve no passado nunca perde a afinação. A F2J continua marchando e o maestro continua contando com a história de Elton, esperando o momento exato em que a sua tuba vai voltar a rasgar o ar de Canavieiras com toda a força e a dignidade que ele sempre possuiu.