A continuidade na rica árvore genealógica musical do Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J), a continuidade das tradições depende de homens que recebem o testemunho do passado e o carregam com honra rumo ao futuro. Juvan Teixeira é o exemplo perfeito dessa sucessão de talentos. Exímio trombonista, Juvan é orgulhosamente reconhecido como um músico de segunda geração, herdando a responsabilidade de manter vivo o som imponente dos graves que foi pavimentado pelos dois maiores pilares do instrumento na casa: o lendário Mestre Sebastião (o mestre do trombone canela seca) e o saudoso Mestre Cosme Pinho.
A caminhada de Juvan na arte do sopro teve início sob a tutela e os ensinamentos fundamentais de Eunice, momento em que suas primeiras notas começaram a desenhar a trajetória de um músico dedicado. Ao abraçar o trombone, Juvan não escolheu apenas um instrumento, mas sim um compromisso histórico. Sendo da geração que sucedeu diretamente os gigantes Sebastião e Cosme Pinho, ele assumiu a missão de preservar a técnica, a postura de retreta e a sonoridade encorpada que dão a identidade e o poder aos dobrados tradicionais da F2J.
Hoje, sob a regência e gestão do maestro Eduyr Pereira da Silva — que também bebeu dessa mesma fonte dos grandes mestres —, Juvan Teixeira destaca-se como um pilar de sustentação no naipe de trombones. Ele representa a maturidade musical da instituição: o músico que respeita profundamente as origens, que honra os ensinamentos de quem veio antes e que garante, a cada ensaio e apresentação, que o eco da "grande era" continue a vibrar forte nas ruas de Canavieiras.
História: O peso da música e a linha do tempo
Sentar-se no naipe de trombones da Filarmônica 2 de Janeiro é carregar nas costas o peso de uma história gigante. Toda vez que Juvan Teixeira posiciona seu instrumento no ombro e estende o braço para alcançar as posições da vara, ele sabe que não está tocando sozinho. Nas sombras afetivas daquele salão, parecem ecoar os olhares atentos de Mestre Sebastião e de Mestre Cosme Pinho, os homens que transformaram o trombone no coração pulsante da banda.
Juvan lembra-se bem do início de tudo, dos primeiros passos dados com Eunice, quando a música ainda era uma descoberta cheia de mistérios e desafios. Mas o destino o queria nos graves. Ao ingressar na linhagem dos trombonistas da F2J, ele entendeu rapidamente o tamanho da sua responsabilidade. Ele não conheceu a música como algo passageiro; ele a recebeu como uma herança sagrada de uma linhagem de reis do sopro.
Sustenta essa nota com o brio da segunda geração, Juvan costuma lembrar o maestro Eduyr durante os ensaios mais exigentes, cruzando o olhar com o músico. Eduyr, que aprendeu a dominar o trombone canela seca com o próprio mestre Sebastião, enxerga em Juvan o parceiro ideal para manter o nível de exigência e a beleza do som da casa. Juvan sorri com o canto dos lábios, ajusta a embocadura e responde com um som limpo, firme e aveludado, daqueles que preenchem cada canto do casario histórico de Canavieiras. Ele sabe que a sua geração é o elo que une o passado memorável dos mestres de 89 anos à meninada nova que hoje entra na escolinha de música olhando para ele com o mesmo respeito com que ele olhava para os antigos. Quando a F2J se posiciona na praça e o comando do dobrado é dado, o trombone de Juvan Teixeira rasga o ar com autoridade. É a segunda geração em plena atividade. É o ensinamento de Eunice, a benção de Cosme Pinho e a precisão de Sebastião marchando juntos no mesmo compasso, provando que a tradição da 2 de Janeiro é uma chama eterna que passa de mão em mão, sem nunca perder o brilho.