As grandes histórias das filarmônicas do Ssl da Bahia é feita de caminhos que se cruzam, onde músicos de diferentes terras partilham o mesmo sopro e enriquecem a identidade cultural da região. A trajetória de Sahaslla Joana na Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J) é um exemplo perfeito desse intercâmbio de talentos que une cidades e fortalece os laços musicais da nossa região. Vinda da tradicional e respeitada Filarmônica 15 de Setembro, da vizinha cidade de Belmonte, Sahaslla trouxe consigo a bagagem, a disciplina e a musicalidade características da forte escola de sopros belmontense. Em 2024, ela passou a integrar o corpo de estante da F2J, em Canavieiras, somando sua técnica e sua sensibilidade artística às fileiras da centenária instituição. Sob a regência do maestro Eduyr Pereira da Silva, Sahaslla demonstrou ser uma instrumentista dedicada, adaptando-se rapidamente ao repertório e à dinâmica da casa.
Embora sua passagem pela nossa filarmônica 2 de Janeiro tenha sido breve, estendendo-se ao longo do ano de 2024, antes de seguir novos rumos, o impacto de sua presença foi profundo. Mais do que uma musicista competente na estante, Sahaslla conquistou a todos com seu carisma, companheirismo e retidão profissional. Não chegou se despedir da instituição no final daquele mesmo ano, ela deixou uma lacuna nas fileiras, mas, acima de tudo, deixou uma imensa saudade no coração dos amigos de farda e uma profunda admiração por parte do maestro, consolidando-se como uma querida e inesquecível colaboradora da nossa história recente.
História: uma estante de afeto entre duas cidades
Quem conhece a estrada que liga Canavieiras a Belmonte sabe que ela é feita de paisagens bonitas, mas, para a música, essa estrada é um cordão umbilical que une duas das mais bonitas tradições filarmônicas do estado. Quando Sahaslla Joana cruzou esse caminho em 2023 para sentar-se nas estantes da Filarmônica 2 de Janeiro, ela não trouxe na bagagem apenas o seu instrumento e o seu método de estudo; trouxe o orgulho da sua formação na 15 de Setembro e uma vontade bonita de somar.
Nos ensaios daquele ano, a presença de Sahaslla logo chamou a atenção. Ela possuía aquela postura firme de quem respeita a farda que veste e a partitura que lê. Não demorou para que os músicos da casa — desde os veteranos até os jovens da renovação — vissem nela uma companheira de primeira hora. Na hora de afinar os metais e as madeiras, o som de Sahaslla misturava-se perfeitamente com a identidade canavieirense, criando uma harmonia que parecia construída há anos.
O maestro Eduyr observava do pódio aquela integração com grande satisfação. Para um pedagogo da música, ver uma instrumentista vinda de outra escola tradicional se doar com tanto respeito ao pavilhão da 2 de Janeiro é a prova de que a linguagem das filarmônicas é uma só: a da fraternidade e da salvaguarda cultural. Sahaslla tornou-se uma peça importante naquele ano, garantindo o brilho e a sustentação nas apresentações e retretas da F2J.
Mas as partituras da vida também têm seus compassos de mudança. No final de 2024, o momento da partida chegou, e Sahaslla precisou se despedir da estante que havia adotado como lar por alguns meses. A despedida foi marcada por abraços apertados e palavras de gratidão. O ano de 2024 passou, mas o lugar onde Sahaslla sentava no salão de ensaios guardou o eco do seu som e da sua alegria. Os amigos que ela cativou nas fileiras frequentemente relembram, a seriedade nos desfiles e a parceria musical. Para o maestro Eduyr e para todo o corpo musical da 2 de Janeiro, Sahaslla Joana sempre será um sinônimo de uma saudade boa, aquela que a gente sente quando lembra de alguém que veio, brilhou, honrou a nossa casa e deixou as portas e os corações eternamente abertos para o seu retorno.