Na dinâmica das filarmônicas baianas, a percussão é o motor que impulsiona a banda e dita o compasso da emoção nas ruas. Weskley Luis Teles Matos é um dos grandes nomes dessa engrenagem na Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J). Atuando com maestria tanto na bateria quanto na caixa de guerra, Weskley pertence à orgulhosa segunda leva de musicistas da instituição — uma geração que recebeu o bastão dos veteranos com a missão de manter o ritmo firme, mas trazendo a energia e a modernidade da juventude.
Sob o olhar atento e a coordenação sociopedagógica do maestro Eduyr Pereira da Silva, Weskley consolidou-se como um percussionista versátil. Na caixa de guerra, ele domina o repique seco e tradicional necessário para a imponência dos dobrados e marchas processionais da farda oficial. Na bateria, demonstra um balanço e uma coordenação ímpares, fundamentais para os repertórios mais festivos e populares que animam a comunidade.
Essa versatilidade e o seu espírito empreendedor na música levaram Weskley a expandir suas fronteiras além do formato tradicional de retreta. Ele é parte integrante e fundamental da Charanga Grupo 2Metais, um desdobramento festivo e vibrante que leva o som dos metais e da percussão da F2J para festas, carnavais e eventos cortejados. Weskley personifica o músico da renovação: respeitoso com as partituras do passado, mas totalmente conectado com o balanço e a alegria do presente.
História: o dono do tempo e do balanço
O ensaio da Filarmônica 2 de Janeiro ganha um contorno diferente quando Weskley Luis Teles Matos assume as baquetas. Quem observa o jovem concentrado atrás dos tambores da bateria ou com a caixa de guerra a tiracolo percebe que, para ele, o ritmo não é apenas uma contagem de tempos, mas sim a forma como ele escolheu fazer o coração da cidade bater.
Fazer parte da segunda leva de musicistas da F2J trouxe para Weskley um desafio bonito: o de olhar para os mestres veteranos da percussão com reverência, extraindo deles o segredo do toque preciso, e ao mesmo tempo colocar o seu próprio estilo, o seu molho e a sua juventude na pele dos tambores. Ele aceitou a missão de braços abertos. Nos desfiles oficiais, a sua caixa mantém a cadência impecável que o maestro Eduyr exige na avenida; nos momentos de festa, sua bateria vira o centro das atenções.
Foi justamente essa paixão pelo ritmo que fez Weskley encontrar na Charanga Grupo 2Metais o terreiro perfeito para extravasar sua criatividade. Quando a charanga ganha as ruas de Canavieiras, o clima muda. O som pesado dos metais ganha a malandragem e o balanço que só um exímio baterista e caixista consegue dar. O público dança, acompanha o cortejo e sorri, contagiado pela energia que emana do grupo.
No tempo certo e com a alegria de sempre, Weskley! — sinaliza o maestro, reconhecendo a importância de ter um músico tão seguro comandando a cozinha rítmica da renovação.
Weskley ou nino responde com um virada precisa nos tons e pratos, fazendo a transição do dobrado para o samba com a naturalidade de quem nasceu para o batuque. Ele sabe que a história da 2 de Janeiro é um livro em constante escrita. Como parte dessa segunda geração, ele escreve suas páginas com o estalar das baquetas, garantindo que o amanhã da filarmônica seja tão firme, alegre e ritmado quanto o compasso que ele dita hoje.