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BIOGRAFIA DILSON SANTOS MACEDO

A memória viva, o amor centenário e o legado dos mestres
1 de junho de 2026 por
BIOGRAFIA DILSON SANTOS MACEDO
Associação Banda Filarmônica 2 de Janeiro
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Falar de Dilson Santos Macedo é folhear as páginas mais bonitas e heróicas da história da música em Canavieiras. Aos 78 anos de idade, este músico veterano é um verdadeiro guardião do tempo e uma das colunas de sustentação do Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J). Atuando como pratileiro — o músico responsável pelos pratos, cujo som imponente dita o brilho, o ápice e o coração rítmico dos dobrados nas ruas —, Seu Dilson traz nas mãos o peso e a glória de uma tradição que ele viu se transformar e resistir ao longo das décadas. Sua caminhada confunde-se com a própria era de ouro da instituição. Senhor Dilson é uma testemunha viva do tempo do lendário mestre João Panan e traz em sua bagagem musical os ensinamentos e a convivência com maestros colossais, como João Danga e mestre Cosme Pinho. Ter passado pelo crivo e pela batuta desses grandes nomes da música baiana conferiu a ele não apenas uma autoridade técnica e histórica inquestionável, mas também uma sensibilidade comunitária rara.

O que define Seu Dilson, porém, vai muito além de sua impressionante longevidade no sopro e na percussão. O que o move, aos 78 anos, é um amor visceral e incondicional pela Filarmônica 2 de Janeiro. Ele não falha, não desiste e mantém o mesmo entusiasmo da juventude a cada ensaio e retreta. Hoje, o veterano assumiu a nobre missão de ser o elo entre o passado glorioso e o futuro promissor. Com a sabedoria de quem atravessou gerações, ele tornou-se o conselheiro dos mais novos, olhando para talentos como a menina prodígio Janniny Souza Santos e os demais jovens da renovação com o carinho de um pai e o rigor de um mestre, garantindo que a chama da F2J nunca se apague.

História: o som do bronze e a voz da sabedoria

O peso dos dois discos de bronze nas mãos de seu Dilson Santos Macedo parecia desaparecer sempre que ele cruzava o portal da Filarmônica 2 de Janeiro. Aos 78 anos, o corpo não sente o cansaço dos dias, mas a alma rejuvenesce no exato instante em que o cheiro das partituras e o som do aquecimento dos metais invadem seus sentidos. Ele olha para aqueles pratos polidos e, no reflexo do metal, não vê apenas o presente; vê uma vida inteira dedicada àquele chão.

Seu Dilson fechava os olhos por um segundo e quase podia ouvir os ecos do passado. Lembrava-se perfeitamente da disciplina rigorosa e do amor ao pavilhão na era de João Panan. Sentia a presença mística de João Danga e os conselhos firmes de mestre Cosme Pinho, homens que haviam moldado seu caráter e seu respeito pela farda e pela música.

— Seu Dilson, o senhor acha que o andamento desse dobrado está muito bom — a afirmação, feita com a doçura e a ansiedade típicas da juventude, veio de Janniny Souza Santos, que segurava seu instrumento com os olhos fixos no veterano.

Seu Dilson abriu um sorriso largo, cheio de alegria, como o que contavam histórias, e olhou para a jovem prodígio e para os outros rapazes e moças que se aproximavam da sua estante, buscando a benção de sua experiência.

— Escutem o que este esse pratileiro vai lhes dizer — começou seu Dilson, com uma voz mansa, mas que carregava a força dos anos. — A música da 2 de Janeiro não é uma corrida de velocidade. É uma caminhada de união. Quando eu bato esses pratos, eu não estou só fazendo barulho; estou marcando o passo da nossa história. Vocês têm nos dedos o talento que o futuro precisa, mas precisam ter no peito o respeito por quem pavimentou essa estrada.

Ele fez uma pausa, olhando nos olhos de Janniny, enxergando ali o mesmo brilho que ele próprio carregava décadas atrás.

— Estudem, tenham paciência com as correções do maestro e, acima de tudo, amem essa casa. A nossa filarmônica só é gigante porque nunca deixou nenhum menino para trás. Quando nós passamos pela praça e o povo aplaude, eles não estão aplaudindo apenas as notas certas, estão aplaudindo a nossa resistência. Vocês são os donos do amanhã, mas nunca esqueçam de olhar para as fotos na parede.

O maestro subiu ao pódio e ergueu os braços, pedindo atenção e seu Dilson piscou para Janniny e para os jovens músicos, posicionou os pratos no alto, com a postura impecável de um soldado da cultura. Quando o sinal foi dado e o primeiro acorde estrondou na sala, Seu Dilson bateu o bronze com precisão cirúrgica. O som ecoou forte, preenchendo o salão. Era o som do passado abraçando o futuro; era o amor de um veterano garantindo que a música de Canavieiras continue eterna.

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