Pular para o conteúdo

BIOGRAFIA EDUYR PEREIRA DA SILVA

A batuta da cidadania, o legado dos metais e a liderança sociopedagógica
1 de junho de 2026 por
BIOGRAFIA EDUYR PEREIRA DA SILVA
Associação Banda Filarmônica 2 de Janeiro
| 1 Comentário

Há lideranças que não se impõem pelo poder da hierarquia, mas pela força do exemplo, pela generosidade do ensinamento e pela profundidade do impacto social que deixam em sua comunidade. Eduyr Pereira da Silva é a personificação desse ideal. Maestro, professor de música, gestor cultural e atual presidente da filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro (F2J), ele tem dedicado sua vida a transformar Canavieiras, na Bahia, em um palco de resistência artística, inclusão e cidadania. Sua caminhada na música é marcada por um profundo conhecimento prático e teórico, tendo dominado e progredido através de diversos instrumentos de sopro (metais e madeiras) ao longo de sua carreira profissional. Graduado em Letras e acadêmico em Música pela UNINTER, Eduyr sempre se recusou a enxergar a música apenas sob uma ótica estritamente técnica ou fria. Para ele, cada partitura, cada ensaio e cada dobrado tradicional executado nas ruas e praças são ferramentas de transformação sociopedagógica e salvaguarda da memória afro-baiana e do patrimônio cultural.

À frente da F2J, Eduyr lidera com uma visão que une o rigor pedagógico aquele que corrige a falha teórica para lapidar um mestre, como fez no passado à sensibilidade humana que acolhe crianças de 9 anos e as transforma em cidadãos e grandes musicistas. Sob sua gestão, a instituição alcançou marcos históricos vitais, como a conquista do status de utilidade pública estadual em 2025 e a articulação de projetos voltados para a renovação instrumental e expansão educacional. Autor do livro ainda em fase de escrita e projeto Memórias e resistência, que prepara o centenário da instituição para 2030, Eduyr Pereira da Silva é, acima de tudo, o maestro que rege não apenas notas musicais, mas os sonhos e o futuro de gerações inteiras.

História: o compasso que transforma vidas

O fim de tarde em Canavieiras traz consigo o sopro do mar e o som familiar dos metais que começam a ecoar das janelas da Filarmônica 2 de Janeiro. No centro do salão, o maestro Eduyr Pereira da Silva organiza as estantes. Seus olhos, atentos e expressivos, passam pelas fotos dos antigos mestres na parede João Panan, João Danga, Cosme Pinho e depois se voltam para os jovens que entram conversando, trazendo os instrumentos nas mãos.

Eduyr sorri muitas vezes discretamente. Ele conhece cada história ali dentro. Lembra-se de Glauber, que começou com a amizade aos 9 anos e hoje é seu braço direito na secretaria e na linha de sucessão; lembra-se da firmeza que precisou ter com Daniel para que ele se tornasse o grande músico e maestro que é hoje; enxerga a dedicação dos irmãos Nobre e o quanto ele os agradece por serem pontos chaves(Lourran, Laislana e Laisla), o brilho precoce de Janniny e a fidelidade veterana de homens como Seu Dilson e Denilson.

— Todos em seus lugares? — a voz de Eduyr ecoa, firme e acolhedora. O salão silencia instantaneamente. Ele sobe ao palco, mas antes de erguer a batuta, olha para aquela moldura humana à sua frente. Para Eduyr, ali não está apenas uma banda de música; está o coração pulsante da cidade. Cada jovem com um instrumento na mão é uma história de vulnerabilidade superada, uma mente que se expande através do estudo e uma alma que se conecta com suas raízes ancestrais.

Eduyr levanta os braços. A batuta corta o ar em um gesto preciso. Quando o primeiro acorde do dobrado explode no salão, não é apenas som que preenche o ambiente: é o resultado de noites em claro escrevendo projetos de fomento, de tardes dedicadas à paciência do ensino das primeiras notas e da fé inabalável de que a arte é o maior instrumento de cidadania que existe. Sob a regência de Eduyr, a Filarmônica 2 de Janeiro não apenas toca; ela resiste, educa e brilha.

A visão: a alma por trás da batuta

Como próprio escritor e editor, pois são poucos os que escrevem sobre si mesmo e falando com sinceridade poucos são os que tem o privilégio de caminhar ao meu lado em minhas produções intelectuais, acadêmicas e biográficas, eu gostaria de pedir licença para expressar a minha percepção sobre a minha trajetória.

Quem é Eduyr? Eu sou, ou como diz a sua autodeclaração ele é o tipo de educador e líder cultural que o mundo ou Canavieiras precisava com urgência. A parte sua dedicação em não deixar a história da música baiana do extremo sul morrer e, mais do que isso, a sua insistência em dar um significado sociopedagógico à sua pesquisa e ao seu trabalho prático mostram que a sua missão vai muito além da música, ele compreende e compreendia que a teoria musical e a disciplina técnica só fazem sentido se servirem para construir seres humanos melhores, mais críticos e conscientes de sua cidadania.

O seu papel na F2J é o de um verdadeiro guardião. A forma como este mestre equilibra e equilibrou o afeto e o respeito pelos veteranos com a energia e a exigência necessárias para lapidar a nova geração é uma arte tão complexa quanto reger a mais difícil das sinfonias. Ver o seu esforço para documentar as memórias da filarmônica rumo ao centenário em 2030 é a prova de que você sabe exatamente onde a instituição quer chegar, sem nunca esquecer de onde ela veio. Para mim, é uma honra ser um colaborador nos textos e projetos da filarmônica. O meu sopro e liderança foi o que manteve viva a sinfonia da resistência em Canavieiras.

Entrar deixar um comentário