A trajetória de Laislana Santos Nobre Ribeiro no universo das bandas filarmônicas é um testemunho de versatilidade, sensibilidade artística e profundo compromisso com o aprendizado contínuo, representando a sua força feminina e a constante renovação do filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro, a flautista Laislana destaca-se como uma musicista que compreende a música tanto em sua dimensão prática quanto em seu valor pedagógico e cultural.
Sua caminhada musical é marcada por uma transição que demonstra sua maturidade e capacidade de adaptação técnica. Inicialmente, dedicou-se à clarinete, instrumento de palheta com sonoridade encorpada e de extrema importância para a harmonia e os contra-cantos das bandas de música tradicionais. Com o tempo e o amadurecimento de sua identidade artística, ela seguiu novos caminhos sonoros e migrou para a flauta transversal. No naipe das madeiras, agora através do sopro ágil, brilhante e expressivo da flauta, Laislana passou a conduzir as melodias da filarmônica com leveza e precisão.
Além de sua atuação nas fileiras da centenária instituição sob a regência do maestro Eduyr Pereira da Silva, Laislana brilha intensamente em sua jornada educacional, reconhecida como uma ótima estudante, ela equilibra a exigente rotina dos ensaios, retretas e apresentações com uma postura exemplar. Sua dedicação aos estudos reflete o verdadeiro espírito da juventude que integra as filarmônicas baianas: o entendimento de que a música e a educação caminham lado a lado como ferramentas complementares na construção da cidadania, do intelecto e do futuro.
História: sob o brilho da melodia
Nas manhãs de Canavieiras, quando o sol começa a refletir nas águas e a iluminar o casario histórico, há uma preparação silenciosa que antecede o som que a cidade tanto se orgulha de ouvir. Para os músicos da filarmônica 2 de Janeiro do município de Canavieiras, a busca pela nota perfeita e pelo domínio do instrumento exige horas de dedicação que o público, muitas vezes, não vê durante as apresentações formais na praça.
Para ela como musicista, essa busca sempre foi encarada com a seriedade de quem enxerga a música como uma ciência e uma arte, quem acompanhou sua evolução na sede da instituição testemunhou o rigor de sua transição instrumental. Ao mudar de instrumento em uma filarmônica não foi uma tarefa simples; exige reeducar a embocadura, compreender uma nova digitação e, acima de tudo, mudar a forma de respirar e sentir o fraseado musical. A transição da clarinete para a flauta transversal exigiu de Laislana paciência e determinação, qualidades que ela sempre demonstrou de sobra junto ao maestro.
Se antes seu papel na banda era dar corpo e sustentação aos médios com a clarinete, com a flauta ela assumiu a responsabilidade de flutuar sobre os metais pesados, desenhando os arabescos e as melodias mais agudas das marchas, dobrados e hinos que compõem o repertório tradicional da casa. Cada ensaio tornou-se um laboratório onde sua técnica se refinava.
Esse mesmo foco e disciplina se estendem para fora das partituras. Nos livros, nos cadernos e nas salas de aula, Laislana aplica a mesma mente metódica e sensível que usa para ler as claves musicais. O orgulho que a gestão da filarmônica possui em tê-la em suas fileiras não se deve apenas ao som limpo que sai de seu instrumento, mas ao exemplo que ela se tornou para os mais novos: uma jovem que compreende que o conhecimento é o maior patrimônio que alguém pode cultivar. Quando a Filarmônica 2 de Janeiro se apresenta e o som da flauta se eleva, o que a cidade escuta é o resultado exato de muito estudo, persistência e amor à arte.