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Musicista e professor Glauber Boaventura da Silva Santiago

A força da salvaguarda e o ritmo da gestão cultural
1 de junho de 2026 por
Musicista e professor Glauber Boaventura da Silva Santiago
Associação Banda Filarmônica 2 de Janeiro
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Biografia: Glauber Boaventura da Silva Santiago

Há trajetórias que se fundem de tal forma com a história de uma instituição que se tornam parte do seu próprio alicerce. A caminhada de Glauber Boaventura da Silva Santiago na música e na salvaguarda do patrimônio cultural começou cedo, aos 9 anos de idade. Foi sob o olhar atento e a orientação do maestro Donaldson Cháchá e de seu amigo e hoje maestro da filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro Eduyr Pereira da Silva, que o menino deu seus primeiros passos no universo das filarmônicas, descobrindo que a música é, antes de tudo, uma ferramenta de transformação, cidadania e resistência. Ao longo dos anos, Glauber deixou de ser apenas um jovem instrumentista para se tornar uma das figuras mais vitais na engrenagem que mantém viva a tradição secular do Filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro. Sua dedicação e profunda compreensão da identidade da instituição o moldaram naturalmente como o segundo na linha de sucessão da regência, um posto que exige não apenas maestria técnica, mas o respeito absoluto pelo legado daqueles que vieram antes.

Mais o que a linha sucessória musical, Glauber assumiu um papel estratégico na linha de frente administrativa como Secretário-Geral da gestão. Em uma filarmônica, o som que ecoa nas ruas e praças depende do trabalho silencioso e burocrático dos bastidores; e Glauber equilibra a sensibilidade artística com o rigor da gestão cultural, garantindo a organização institucional necessária para que o projeto continue transformando vidas. Unido ao maestro Eduyr por um forte laço de amizade pessoal e cumplicidade pedagógica, Glauber Boaventura representa a continuidade de um sonho coletivo. Ele é o elo vivo entre o passado glorioso da centenária instituição e o futuro da música no território de identidade.

O guardião dos papéis e dos sons

A sala da secretaria da Filarmônica 2 de Janeiro guardava um cheiro característico de papel antigo e óleo de partitura, misturado ao sopro quente que vinha do mar. Sentado à mesa, Glauber Boaventura organizava os arquivos da gestão. Atas, relatórios de projetos, cronogramas de ensaios. Para quem olhava de fora, eram apenas papéis. Para ele, era o mapa de uma resistência.

Glauber parou por um instante e olhou para as próprias mãos. Sorriu de canto ao se lembrar de quando elas eram pequenas demais para alcançar certas chaves do instrumento, lá atrás, quando tinha apenas 9 anos. Lembrou-se do maestro Eduyr, com a paciência moldada pela paixão pedagógica, corrigindo sua postura e ensinando que uma nota musical nunca é apenas uma frequência no ar; ela carrega a história de um povo.

— Focando na burocracia ou na melodia, Glauber? — a voz firme e bem-humorada do maestro Eduyr ecoou da porta, quebrando o silêncio da sala.

Glauber levantou os olhos, rindo.

— Para a nossa engrenagem girar, maestro, os dois precisam andar no mesmo compasso. Se o papel não estiver em dia, a música perde o fôlego na hora de captar o recurso para os novos instrumentos da garotada.

Eduyr aproximou-se, pousando a mão no ombro do amigo. Não era apenas uma relação de direção e secretaria, ou de mestre e discípulo. Era uma amizade forjada no chão do ensaio, no calor das procissões e no ideal partilhado de que a música em Canavieiras é um direito de cidadania.

— Sabe, Glauber... Ver você cuidar dessa casa com o mesmo zelo de quando aprendeu as primeiras notas me dá uma paz imensa — disse Eduyr, olhando para as estantes de partituras. — A linha de sucessão de uma filarmônica não se faz apenas por decreto ou hierarquia técnica. Faz-se por herança de alma. Você sabe o peso e a beleza que essa batuta carrega.

— Eu aprendi com o melhor, maestro, nosso eterno professor Dondonga — respondeu Glauber, com uma seriedade humilde nos olhos. — cada ata que eu escrevo como secretário é para garantir que, quando for a minha hora de erguer os braços à frente da banda em definitivo, os meninos que estarão ali sentados tenham a mesma oportunidade que eu tive aos 9 anos. A filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro não pode parar, como nunca parou em seus 96 anos de história. Eduyr sorriu, assentindo com a cabeça, sabendo que o futuro da instituição estava em mãos firmes, organizadas e, acima de tudo, apaixonadas.

Lá fora, os primeiros alunos da escolinha de música começavam a chegar para o ensaio. O som dos metais sendo afinados preencheu o ar. Glauber fechou a pasta de documentos, guardou a caneta no bolso da camisa e pegou seu instrumento, era hora de fazer o papel virar vida.

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